Dicas · Review de produtos

Veganismo e mochilão? Sim, é possível.

Lá vem o textão…

Eu não sei se você é turista ou viajante. Eu sei o que eu gosto. Eu gosto de ver as cidades grandes mas me enfiar em cidadelas e povoados, sentar no boteco e conhecer a galera local, descobrir como as pessoas vivem, de onde vem e para onde vão, isso é… isso é viajar para mim.  E, obviamente, o que mais define um povo e uma cultura é o eles comem. Muita gente deixa de trocar experiências gastronômicas por medo de ficar doente durante a viagem. Mas comer a comida local não só é interessante, mas é um sinal de respeito e confiança com aquele povo. 

Não me leve a mal, eu até entendo que comer em redes de fast-food ou restaurantes tradicionais seja uma opção segura e tal. Mas qual a graça? Seguro-saúde tá aí para isso.

Em 2013 eu fui para a Europa e a meta era gastar no máximo R$ 10 mil considerando compra das passeios, ingressos, hospedagem, alimentação, passagens aéreas, trem e ônibus inter-países e locomoção nas cidades (e umas bugigangas porque né…) para duas pessoas durante um mês passando por 5 países. Parece loucura. Pode ser… mas sim, é possível fazer com menos do que essa quantia porque sobrou uns trocados e olha que não fomos nada econômicos em algumas coisas.

Organizei tudo do jeito que gosto, pesquisando por mim mesma, pesquisando hostels, pedindo couch na casa dos outros, vendo os lugares legais, shows que queria ver. Porém, eu esqueci de um detalhe, locais vegetarianos para comer. Não que comer não seja importante, mas com tanta coisa para agendar, pesquisar, a parte de alimentação ficou em segundo plano. Mas, como eu não sou tão burra assim, eu escolhi hostels que tinham cozinhas, a maioria com café da manhã e que fossem perto de estações de metro/trem e que tinham mercadinhos próximo (valeu Google Maps – Street View). Eu usei o HappyCow quando cheguei na europa, mas nem foi efetivo, mas ele ajuda um pouco sim.  

Na ida, eu pedi no voo refeição vegana. A Iberia deu uma cagadinha (me serviu leite, kit kat e etc) no jantar/café da manhã e a comida não era lá aquelas maravilhas, mas tudo bem, rolou um tofu com pimentões e um hambúrguer de soja. Fiquei com fome mas sobrevivi.

Quando chegamos em Praga, ficamos no Hostel ELF alternativo, bacana e que tinha opções veganas (você pode pedir na reserva) no café da manhã. Mas como chegamos a tarde precisávamos almo/jantar e andando pela rua do hostel descobrimos, bem sem querer mesmo, um restaurante vietnamita Vegancity. Pois lá comemos todos os dias aquela montanha de comida deliciosa a preços ridiculamente baratos. Quando exagerávamos, gastávamos 20 reais (cada um? não, tudo!) A gente se enfiou em uma cidadezinha minúscula de 800 habitantes (na época) chamada Městečko Trnávka para ir em um festival de música (que obviamente deu tudo errado) mas para nossa sorte rolou batata frita e hambúrguer de batata McCain.

Em Berlim, embora tenha um supermercado vegano, diversas opções veganas, a maioria estava fechado porque era domingo quando chegamos. Então fomos na pizzaria mesmo.  Mas o café da manhã do CityHostel era DIGNO de luxo, mas só o café da manhã era digno de algo. Durante o bike tour que fizemos, almoçamos no Tiergarten que pasmem, tinha opções vegetarianas e veganas. Eu comi panqueca de espinafre com recheio de cogumelos, era deliciosamente gigante e nem aguentei comer tudo. A noite, na esquina da rua de trás tem um restaurante turco que tem falafel, chega falando do Galatasaray que o cara ficará feliz e trocará mó ideia e pode até rolar um descontinho… quem sabe?!

Em Pula, ficamos na casa de amigos, então comemos de boa comidinha caseira, Burek de batata ( ❤ ) (ainda não sei se era vegan, mas vegetariano era sim). No centro da cidade tem um café que faz lanches com opções veganas. No centro da cidade também tem uma feira que foi a primeira vez que vi ameixa de verdade (não aquelas pequenininhas de natal), frutas berries de monte…. Tomei leite de soja (um dos melhores que já tomei por sinal). Tinha bastante coisa vegana para uma cidade pequena. Mas usamos bastante os mercados e padarias. Fizemos brigadeiro, espanhola (sim, leite condensado existe fora do Brasil, tá?) para nossos hosts, tomamos caipirinha de limão (um roubo o preço dos limões, mas tá valendo pela companhia).
Ah sim e não posso esquecer do delicioso Ajvar. ( ❤ ) Uma pasta de pimentões vermelhos e berinjela da Macedônia que nos foi ofertada. Negar comida? Nunca.

Embora a Inglaterra seja o lugar mais vegan-friendly da europa, a gente comeu muito mal. Não porque era caro, porque o poder de compra da libra é alto. Mas porque era ruim mesmo. Muita fritura, poucas opções de frutas. Mas tinha o WholeFoods em Londres. ❤
Com 2 libras dá para montar um combo lanche+refri, ou comprar comida pronta nos supermercados Sainsbury e nas Pound Shops (lojas de tudo por 1 libra – tudo mesmo). Ou até mesmo em alguns restaurantes dá pra ter uma refeição legal por 3 libras. No Camden Town tem umas padarias incríveis. =)

Mas no interior… Jesus… não é a toa que perde só para os Estados Unidos na taxa de obesidade.  Fomos em um festival e ficamos 1 semana em Blackpool, olha… vai no industrializado mesmo que é mais garantido viu…. 

Polônia foi um caso a parte. O mesmo aconteceu com o hostel de Praga. Chegamos tarde da noite, fomos andar pelas ruas para reconhecimento de área e caçar comida e quando desistimos e voltamos para hostel percebemos que na nossa cara tinha um restaurante vegano chamado Tel Aviv. RÁ! Comemos loucamente quase tudo do cardápio durante nossos 5 dias lá. A única coisa que não gostei foi um suco de limão com hortelã porque eles levam muito a sério a parte da hortelã.
E foi lá que eu me liguei de estamos em todos os lugares do mundo. Comi açaí em Cracóvia, em uma loja especializada em comida brasileira (não lembro o nome, mas é no caminho para a Fábrica do Oskar Schindler), tinha coxinha, brigadeiro, açaí, pastel e na frente dessa loja tinha uma sorveteria…. Tinha até um mini Carrefour do lado do hostel.
Os supermercados são meio complicados lá, porque nós sabíamos que Mleko era leite. Mas na geladeira tinha várias opções com mleko mas não dava para saber se era leite, iogurte, creme de leite ou chantili. Mas graças ao bom senso, as embalagens são sinalizadas com Veganski =)
Ainda na Polônia, fomos em um festival na cidade de Pulawy e outro em Gora Kalwaria e para nossa surpresa, rolou também bastante comida vegan que a galera faz para vender. Tudo gostoso. Na estação de ônibus também rolou um falafel do Qatar, um imigrante super simpático.

Enfim, resumo da ópera. Tivemos sorte. Mas:

 

  • Lembre-se de pesquisar sobre comidas durante o planejamento da viagem e procure restaurantes veganos, vegan-friendly ou mercadinhos no Google antes de reservar o hostel, assim você não precisa cruzar a cidade para comer.
  • Peça por opções veganas ao reservar o hostel enquanto durar a sua estadia. Na dúvida, você pode comprar comida nos mercadinhos e levar para o quarto.
  • Supermercados ajudam muito, mas frutas são sucesso. Procure produtos com os selos de identificação vegetariano, vegano.
  • Se for para lugares muito afastado da “civilização” ou perceber que vai ficar muito tempo longe, leve kit sobrevivência na mochila.
  • Se você quer economizar e acha que rola cozinhar algo, procure hostels com cozinha. Mas atenção com os cooktops, em Praga, um brasileiro (não fomos nós) botou fogo na cozinha esquentando água para o miojo (lá tem de cogumelos) colocando a chaleira elétrica (fundo de borracha) no cooktop. E menino ainda teve que ouvir: “De onde você é?” Brasil. “E não tem isso lá?”. 😀

 

E que venha 2016 com as próximas aventuras e perrengues na Europa….

 

 

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